Duas palhaças andarilhas, Diva e Zika, cruzam caminhos famintas, carregando no corpo e no riso os tropeços de quem vive à margem. Expulsas de restaurante em restaurante por comerem sem pagar, seguem sobrevivendo de astúcias, trapalhadas e sonhos amassados. A sorte — ou o acaso cômico do destino — lhes presenteia com um frango. Um frango inteiro. Um banquete. É aí que começa a verdadeira disputa. O palco vira arena: acrobacias atrapalhadas, tentativas de trapaça, esquetes físicas e absurdos cômicos constroem uma batalha hilariante para decidir quem ficará com o tesouro dourado. O frango, presença silenciosa e central, torna-se espelho das urgências, dos afetos e da fome que atravessa as duas. “Oh, que vida de frango” transita pela palhaçaria contemporânea com humor, imagens poéticas e fisicalidades exageradas. O número brinca com a precariedade, o excesso e a contradição, tensionando a linha entre o riso e o desconforto. Uma dramaturgia do corpo e do absurdo, na qual o riso nasce da repetição e do ridículo que pulsa na tentativa de se manter de pé. Com Trupe Trupicano.
